quarta-feira, 7 de março de 2012

Quero me vestir de branco e sair nas ruas em plena guerra. Deixei um bilhete na geladeira que dizia: "Vou dar uma volta, se eu não voltar hoje, se preocupe", e dormir encostada na arvora do condomínio da rua de trás, de proposito, só pra alguém se preocupar comigo.
Depois receber um abraço com a sua voz perto do ouvido falando alguma coisa do tipo "não faça mais isso" tão macio que da vontade de fazer de novo.

sábado, 3 de março de 2012

Hidroelétricas de mim

Tirar a blusa e deitar atravessada na cama, com as mãos quase tocando o chão e os seios apontando para a mesma direção do seu olhar: o teto.
Aceitar o calor e a voz rouca no ouvido, mesmo que não consiga se concentrar o suficiente para qualquer coisa fazer sentido, só sentir as notas o violão como se fossem no seu corpo e contasse dessa forma o tempo que deixou os cantos externos dos olhos úmidos em comparação ao coração que sobrevive seco.
Esse silencio lá fora não é paz não, é loucura da solidão que quase se torna um comprimido para toma-lo, dormir e esperar que mate tudo isso por dentro.
Essa gotinhas de lagrimas tem tanta força que sinto e faço dos meus olhos hidroelétricas, e as lagrimas se vão com toda a minha energia.
Eu queria que essas gotas queimassem e logo eu falecesse com a tristeza marcada em uma cicatriz que meu corpo já não poderia curar. Nem remédios. Nem beijos atrasados. Nem nada ou ninguém.
Quero sentar num banco de praça e ver o tempo passar sem mim. Que os anti-depressivos não façam efeitos e que finalmente algo me tome de vez, por completa, como a ultima gota de esperança, e que não possa mais ser vomitado - esse vai e vem de recogitação me assola de forma desesperadora.
Quando o tempo do relógio - biológico - parar, que não troquem a pilha, nem o pulso, só de lugar, e coloquem-o no fundo, bem no fundo de qualquer lugar onde possa ser esquecido. Como se nunca tivesse acontecido ou se quer existido.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Olha, eu só queria te ver de novo, te ter de novo, ir para sua casa em tempos difíceis - como esse - e te ligar quando a vida me batesse, como eu fazia antes quando minha irmã mais velha fazia isso comigo. Eu só queria ser pequenininha de novo - se é que no fundo, deixei de ser - e comer da tua comida quente de amor debaixo dos lençóis presos na cadeira como se fossem uma caverna que me protegia de tudo.
Sabe, eu queria tanto ainda receber os teus cuidados, sentar na tua cama enquanto a realidade guerreava la fora

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A gente sempre foge pelos mesmos caminhos, tentando achar trás de cada arvore, as mesmas pessoas esperando pela gente. Deve ser cansativo ficar parado, durante tanto tempo atras das arvores esperando a fuga pra poder se encontrar. E é.
Eu corro por esses caminhos, como se eu não estivesse nesse lugar escuro e como se nada pudesse me alcança, mas só corro ate a arvore que marquei o teu nome, estou parada aqui, na sua arvore, esperando pra te ver sair dela, está frio, escuro e assustador, e você não parece, minha nuca dói de tanto te procurar nos galhos sorrindo para mim, mas não vejo nada.
Eu devo ter te prometido uma biscoito, uma maçã, ou só um pé-de-moleque,eu aposto que te prometi, e esqueci de te trazer, já nem lembro do teu rosto, nem da sua voz, não lembro se houve promessas, mas tudo está quebrado.    

sábado, 21 de janeiro de 2012

Me visto toda de branco, ponho joelheiras, cotoveleiras e um belo capacete, saio em disparada ate um novo mundo que invento toda tarde para fugir dos problemas que me afligem.
Nesse novo mundo não existe defeitos ou meio termos, não há espaço para duvidas e tempo pensar bobagens. Me torno outra pessoa, ganho outro nome e outra dimensão e ganho muitas outras coisas, inclusive o primeiro lugar no pódio.
Daqui de cima eu vejo todos os meus problemas com suas famílias e outros amigos e assim como eu tambem usam proteção alem de armas pesadas e munição. Fico em alvo fácil daqui de cima do pódio.
Até cair.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

a gente bate
bate-bate
quando alguem nos bate
a gente chora

a gente bate tanto
que cansa
e as vezes tambem
apanha

a gente bate com
medo e apanhar
a gente se bate
querendo acostumar

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sem remetente

Tenho vontade de te mandar uma carta já que está tão longe de mim e muito ocupado para lembrar. Te escreveria palavras de cuidado mesmo com tanto desinteresse da sua parte.
Logo as cartas demorarão mais a chegar em tuas mãos, mas para isso preencherei as linhas com saudade e um pouco de amor.
No final não direi que estarei te esperando nem que quero que você volte logo, mas você saberá quando assim for, será bem vindo em meu peito novamente.
Sei que estamos em tempos mais modernos, mas cartas contem o romance que não vivemos e letras feitas das mãos que querem as suas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pago de adulta, cobro atitudes e digo ser mulher, mas toda vez olho para os lados procurando alguem de abraços abertos me oferecendo proteção. Sou so uma menininha brincando com o salto alto da mãe.

Meu corte de cabelo, minhas roupas, e todos os meus sorrisos mostram o quando menininha eu sou por trás de um carão e altura deste corpo precoce.

Nas ruas vejo essas meninas, tão bonecas, se transformarem em algo tão grande que caberia em mim, mas recuso a usar só para prolongar a pura sensação de ser indefesa e necessitada de atenção e proteção.